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Reportagem Globo Repórter - Artrose

Reportagem Globo Repórter - Artrose

Matéria exibida no Globo Repórter falando sobre o Laboratório de Biomecânica da USP e a propensão e cuidados com a Artrose. Abaixo a transcrição do vídeo feita pelo site G1.

Link para o vídeo:

http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2014/08/sapatos-flexiveis-e-sem-salto-ajudam-reduzir-pressao-nas-articulacoes.html

 

"Sapatos flexíveis e sem salto ajudam a reduzir pressão nas articulações

Estudo na USP se baseou no uso de sapatos baixos e flexíveis. Artrose pode ser genética ou pelo excesso de peso: quando as articulações são forçadas.

  

Durante uma vida inteira quantas agruras do dia a dia o nosso “pobre esqueleto” suporta, não é mesmo? E tudo isso sobre nossos pés. A maneira como as pessoas pisam é que define se vamos ou não ter dor nos pés, nos tornozelos, nos joelhos e nos quadris.

Hoje os especialistas conseguem avaliar como distribuímos o peso do corpo sobre nossos pés. Essa avaliação é feita através de 99 sensores que medem cada ponto de apoio.

Globo Repórter: Todos andamos mal?
Isabel Sacco, doutora em biomecânica: Mais do que 50 % andam de uma forma incorreta, ou não sabem exatamente como pisam.
Globo Repórter: Muitas vezes a gente pode estar com um problema nos quadris, no joelho e começa na pisada?
Isabel: Começa ali, porque é a base de sustentação do corpo, é ali que a gente recebe toda carga, dali ela se distribui, então a forma como se está pisando, como o pé está apoiando no solo, vai ser intimamente relacionado aos problemas na cadeia superior.

Pois foi lá atrás, há 15 anos, que o ritmo de sobe e desce de escadas começou a mudar. Para Dona Áneli as dores do envelhecimento tinham chegado para ficar.

Aneli Murrer, dona de casa: Olha, era bem difícil porque minha casa tem escada, era difícil pra subir, era difícil pra descer
Globo Repórter: A senhora tomava muito remédio?
Aneli: Tomava. Muito antiinflamatório, antibiótico, remédio pra dor, analgésico, tomava muito remédio, mas nada disso resolvia, era momentâneo.
Globo Repórter: o que doía?
Aneli: Doía assim, doía o osso do cotovelo, doía os ossos na mão, mas o que mais me atacava era o joelho, que aí me impossibilitava de caminhada, de meu dia a dia, e o que mais me incomodava era o joelho, mas tudo incomodava.

Estudo com 60 pacientes que sofriam de artrose no joelho

Foi então que, entre uma consulta e outra, Dona Aneli veio parar no Laboratório de Biomecânica do Movimento na USP, onde os pesquisadores estavam justamente desenvolvendo um estudo com cerca de 60 pacientes que sofriam de artrose no joelho.

Pesquisador: O seu sintoma principal é a dor?
Juana Loureiro Rolo, dona de casa: É a dor. Eu fico sentada, na hora que eu vou levantar eu não posso nem sair caminhando de repente, eu prefiro ficar um pouco de pé, pra depois começar, porque eu não consigo andar. 
Francis Trombini, fisioterapeuta: Tá, isso é chamado rigidez articular. O nosso corpo ele foi feito para se movimentar, então toda vez que a gente começa a andar, dar os primeiros passos ele se auto lubrifica.

Artrose no joelho chega a ser incapacitante. O reumatologista Ricardo Fuller explica que essa artrose é a degeneração da cartilagem que protege os ossos. “Então, nós temos aqui uma cartilagem normal, é espessa e ela está dos dois lados assim com igual espessura e ao longo dos anos e de alguns agravos que podemos sofrer, essa cartilagem ela vai ficando fibrilada, erodida e aqui nós vamos ver no estágio final do problema, nós temos assim essas protuberâncias são bastante grandes, não há mais cartilagem e existe um processo inflamatório dentro dessa articulação”, analisa o médico reumatologista Ricardo Fuller.

E o problema não atinge apenas os joelhos. Pode afetar os quadris, as mãos e a coluna, é nela que a artrose provoca a formação dos tristemente famosos bicos de papagaio, chamados assim porque ficam mesmo muito parecidos com o bico dessas aves.

Mulheres são mais propensas à artrose

Mas afinal, o que provoca a artrose? Muitas coisas, dizem os médicos. Pode ser genético ou pode ser o excesso de carga: pessoas acima do peso forçam as articulações. Traumas repetidos também, como é o caso de muitos atletas. E as mulheres são mais propensas à artrose. Porquê? A medicina ainda não chegou a um consenso. 

O estudo feito no Laboratório de Biomecânica da USP se baseou no uso de um tipo de sapatos, baixos e flexíveis. A ideia partiu de pesquisas que revelaram que andar descalço reduz a pressão nas articulações das pernas e consequentemente reduz as dores. Como andar descalço hoje em dia nas grandes cidades é quase impossível, veio a ideia dos sapatos flexíveis e sem salto, que são quase como se a pessoa estivesse descalça. 

“É uma ferramenta a mais, nós não quisemos propor um tratamento definitivo, ou seja, use esse calçado, essa é a solução, esse é um dos objetivos dentro da área da fisioterapia, ou seja, diminuir a dor e aumentar a funcionalidade para as atividades do dia a dia.”, conta Francis, fisioterapeuta.

“Tinha que usar pelo menos oito horas por dia, então eu ficava o dia todo com o calçado praticamente, saia, porque pra mim era ótimo, porque ele é super confortável, é gostoso.”, conta Dona Aneli.   

Uso constante de sapatos flexíveis diminuiu o nível de dor nos joelhos

Depois de seis meses de uso constante dos sapatos flexíveis, o resultado foi surpreendente! O nível de dor nos joelhos diminuiu para menos da metade: - 66 %. E a facilidade em realizar as atividades do dia a dia, o que os médicos chamam de funcionalidade, aumentou 62 %. Daí que as pacientes puderam diminuir o uso dos remédios para dor.

Eni Alves Roveron, aposentada: Aquela dor que eu tinha, até sentada doía, acabou. Graças a Deus.
Globo Repórter: Imaginava que isso poderia acontecer?
Eni: Não, eu achava que eu ia morrer atrofiada, em cima de uma cadeira, era o que eu mais temia, ficar numa cadeira de rodas e dependendo dos outros, porque eu jamais imaginava que eu ia fazer as viagens que eu tô fazendo.
Globo Repórter: Tá fazendo viagens?
Dona Eni, soldadora: Cheguei do Paraguai ontem."

 

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